sexta-feira, 21 de novembro de 2014

TEMPO - SENHOR SOBERANO !!!

         Como é engraçada a vida , em seus atos dessa enorme peça teatral que somos obrigados a apresentar para nós mesmos .

      Como o tempo - cavalheiro indomado a nos conduzir a galope pelos ponteiros do relógio , sabe ser sábio e cruel .

    Guardamos ensaiadas repetidas e incansáveis vezes palavras que queremos / precisamos dizer quando chegar o momento que antevemos com certeza chegando e justamente quando as cortinas se abrem e chega a hora da peça começar ficamos parados com a garganta seca , o coração aos pulos e as tais palavras totalmente desconexas saltitando loucas em nossa mente .

   Olhamos pela penumbra das lembranças e nos vemos novamente (re)vivendo todas as alegrias e mágoas e como uma espécie de turbilhão somos levados quase nos afogando em nós mesmos , mas apenas sorrimos e já nem lembramos mais das tais palavras tantas e tantas vezes repetidas nesse nosso ensaio mental .

  Conseguimos sim , ver décadas serem arrastadas  de volta ao presente - de apenas minutos , mas com tal intensidade que sentimos o cheiro , o gosto e a vontade de ficarmos presos um pouco mais nesse momento estranhamente antevisto - como uma premonição certeira e colocarmos a mente e as palavras em ordem para dizer que sim fomos felizes , mas sofremos e nenhum ato/fato fará com que essa realidade seja apagada .

  Mas o som da voz - nunca esquecido , nos deixa ainda mais bombardeados , com cara de bobos diante da platéia composta por pedaços de nós mesmos .

  Reviramos o baú escondido de nós mesmos e retiramos cuidadosamente as lembranças , os sorrisos e as lágrimas que embalamos tal qual fotos ora amareladas pelo tempo e percebemos que quando chega um momento incerto , mas do qual tínhamos plena certeza que existiria , nunca estamos preparados de verdade para olharmos nos olhos de nós mesmos refletidos e abrirmos a alma .

  Apenas as lembranças que surpreendentemente foram resgatadas em um ínfimo de segundo , entremearam sorrisos e maquiaram lágrimas que por incrível que pareça nem chegaram á margem dos olhos .

  E o tempo soberano se debruça nas abóbadas da alma e guarda em si as respostas que o coração ainda não encontrou no intervalo de suas aceleradas batidas .

 E já não houve um adeus sofrido e magoado , apenas um até um dia quem sabe - aliás até quando o tempo quiser promover nova apresentação inesperadamente .
 

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